12 de junho de 2010

Transcendência

Sinto uma vontade difícil de explicar. Uma vontade de estar, ser, sentir, não sei o quê, não sei onde, nem muito menos o como e o porquê!
Sinto-me confusa, enrolada nos meus próprios pensamentos, nas minhas próprias palavras, nos meus próprios sonhos.
Sento-me cabisbaixa, mãos entre os joelhos, olhar vidrado nas pedras desta calçada, mais preocupado em fitar os relevos irregulares e geométricos do chão que piso.
Ouço o vento que me atravessa e faz esvoaçar os cabelos soltos, livres, sem limites... que me acariciam a face e me abraçam o pescoço.
Cheiro o sol que bate em mim, em cada centímetro de mim, e me clona no chão... tamanha personagem prisioneira a mim e a este chão que me pisa.
Saboreio o ar que respiro, absorvendo toda a sua imensidão, toda a sua simplicidade, todo o seu poder.
Tudo à minha volta permanece numa beleza estática e intemporal, como se o mundo estivesse em pausa, enquanto eu apreciava sozinha a sua beleza... Levanto e caminho neste chão, levando a vontade, o vento, as pedras da calçada, a sombra e o ar. Um só ser único! Sinto-me envolta em magia, leve, pura, com um poder incalculável que nem eu nem ninguém poderá alguma vez quantificar! Fecho os olhos e deixo-me levar pelos trilhos que o vento constrói para mim, simplesmente para eu passar! As flores curvam-se perante mim e oferecem-me as suas pétalas, tamanha dádiva que forma a ponte para o paraíso. Caminho descalça neste chão aveludado e perfumado que ganha cor à minha passagem. E... voo... Perco o sentido ao momento, perco o rumo do vento, perco a vontade do sol, perco o pensamento... Flutuo vazia no vazio que me circunda. Deixo de sentir o ar que me toca, de ver a cor do meu corpo, de cheirar este mundo.
Desapareço no ar como a névoa da manhã. Silenciosa... Subtil... Em paz... Feliz...












E acordo...