7 de dezembro de 2011

no fundo de um bau

Vaguear, permanecer estático.
Vazio.
Descobrir e fugir;
A loucura, pequeno mestre,
Haveria um génio que o agarraria;
Mas hoje chega, não o quero mais;
Onde estaria a procura, se houvesse fim,
E o fim terminou, quando a procura se findou;
É tudo em busca do caminho;
Por onde irás seguir,
Fugir?
Percorrer, sorrir,
Que sorriso esboçar?
Cair na prisão onde existo,
Onde me crio e não me cerco.
Espero a tua resposta,
Sabendo que ela não vem,
Ignorarei a tua imagem.
A minha ilusão foi aceitar
Que por detrás de um símbolo
Existiria um significado imutável.

17 de novembro de 2011

Gato

Sigo de fora os basteadores. Era assim que começava. Amanhecer, sim, aquele traço de aldeia que se exibia na cidade, da metrópole, sim, elas ainda existem, neocolonianismo, globalização, giros conceitos. Mas não nos afastemos. Amanhecer, pequeno momento rustico na metrópole, que dizer? Dizendo, que, o gato olhou o passáro, mas ainda é novo, não reconhece por de certo os seus instintos, ou pelo menos esforça-se para entender. Vê , assusta-se? e logo se guarnece de uma posição que nunca lhe fora ensinada, e preparado para atacar, ataca, mas falha. É pequeno, tem que treinar esse seu instinto selvagem, quanto mais fome mais ele o fomentará, se o alimentar-mos, ele aborrecer-se-à, ou talvez não, três espaços , eu disse-te. nascer, viver , morrer. Mas nada disso interessa, se não disseres. E por isso espero, espero que surjas. O gato não desiste, não, ele continua a sua aprendizagem, mais ou menos correcta, se é que se pode considerar seja o que for sobre o gato, e assim como gato, sobre nós. Não desistá-mos, sei-lo. E aguardo a tua resposta. Amanhã amanhecerá novamente, o gato estará mais maduro e talvez o passáro já não escape, afinal, vá se lá saber, quem caça quem e quem é caçado, o passaro tem que ser esperto, ou nem esperto nem burro, como o gato, terá que aprender a evitá-lo. Demora. Não faz mal, estamos habituados.

15 de novembro de 2011

after the darkness comes the dawn

O acto criativo, vinha em dado livro, seria uma acto neuronal onde a informação era produzida através do que não havia, acrescentar-se-ia uma qualquer informação ao sistema neuronal, tanto na musica, poesia, ou qualquer tipo de arte. Pergunto me se as conjugações de tal processo criativo não poderiam ser aplicadas a economia, criar um novo sistema económico e político que não foi ainda pensado e aplicar a esta civilização, que em decadência e desequilibrio, sugere constante horror aos seus habitantes. Uns são horrorizados pelos os demais e comuns infortúnios, outros vivem aterrorizados de se juntarem a essa massa populacional que já nela vive. É uma dictomia incrivel, essa criada por alguns génios que condena uns outros que por não saberem, ou por saberem mas não ligarem, religião de resignação, aceitam a resignação e subjugam-se à criação de um outro sujeito. Há em ainda quem diga que esse mesmo acto nos aproxima de deus, não condeno, se deus já todos nós formos, e se existe esse mesmo conceito, ou mesmo o outro, que por sinal eu aqui falo. Mas falo em muitos, e em todos ponho essa possibilidade e desprezo, e consciente condeno a indiferença.
Não quero ser radical, e reivindicar qualquer coisa de utópico, mas sistemas económicos e políticos e existem na natureza há mais tempo que nós, e pensando nisso, e no que se formou, julgo que a solução não está na criação de um sistema, essa informação surgida do vazio a muito que nos indigna e se processa em tal descriminação em relação a tantos, que os outros, sorriem, pois, claro, também eu sorriria se na posição deles me encontrasse.
Deixemo nos de merda, isto é, a dependência destes sistemas cria, e novamente, origina do vazio, ou de informação inexistente, uma bola de fogo que não cessa, e contamina a humanidade. Para se com esta merda, e que se dedique tempo à pratica de boas condutas, e porquê? Tal criação, do vazio, ou de dados adquiridos que originam qualquer coisa será mais correcta. Se eu não roubar não preciso de policia, e se o individuo necessitado tiver problemas "dar-lhe-ei" ,não dando está claro, dignidade o suficiente para puder sustentar a si e aos seus sonhos. E se o bandido for um assassino, recuso me a pensar nisso, na roda das emoções teria disciplina para controlar esses mais primitivos instintos. Nada de contradições , moral e ética, ou só ética, é um assunto complicado, e não quero entrar em grandes deambulações filosóficas, pelo o que prefiro ir directo ao assunto, e dizer que, neste período da evolução restam duas saídas, a da criatividade positiva e a negativa, escolham um caminho.

3 de novembro de 2011

Sem imaginação, saiu..abraço

Perguntava-me onde andarias, se estarias bem, onde permanecias. Não sabia, nunca o soubera, e inverso talvez nunca fora mentira, mas como saber? não sei. A psicologia e as suas manhas, e quando mais nada sei dizer a não ser falar de mim. Quero quebrar com este ciclo infernal, e depois? que ficaria? vazio o ser sem ego? espera, claro que não, exste o id e o superego que se cruzam e mantêm a forma da psique. Ou, não daria para fugir, talvez num sonho, num sonho daria para fugir. Não desistas, permanece, diria o meu id ao meu ego, mas ele, ele já não queria saber, e eu também não. Não te conhecia, como o podia fazê-lo? não, é impossível. Mas tenta, nunca se sabe, e a comunicação interpessoal é importante. Sistema de três equações que se tem que resolver, e quem resolve essa equação? Consciência? Ou é parte integrante da mesma equação que não tem resultado? Pouco importa, fragil criatividade e imaginação. Não falarei mais de mim, não retratarei nada sobre mim e pouco importará aquilo que possa dizer, mesmo quando te crio crio-te a minha maneira e a minha pessoa, e não vale a pena idealizar o afastamento que não é possivel fazer. Junta-te e não desistas. Onde andarás? que dizias? Não compreendo no total toda a verdade, não a consigo ver. Espero que não a digas, ninguem a pode dizer, mesmo quando se fala de si próprio. Por isso desisto de falar de mim. Desisto de falar de ti. Desisto simplesmente de falar de seja do que for, e fico a espera para saber qual terá sido a tua decisão.

1 de novembro de 2011

Reminiscências

Relembro a magoa do passado,
lugar negro, sombrio, assombrado,
recordo as noites secas de alegria
sem luz, sem vida, despidas.

Nada mudou desde ontem
e o presente conta o bem,
esperança vã de acreditar
que o futuro há-de mudar.

Não se vanglorie as coisas boas
em momentos de exaltação
guardar pequenos momentos,
guardá-los, com paixão.

E devagar e sem resposta,
desejo de novo contornar
mas não vale a pena fugir
ao que é o nosso sentir.

Desvaneio durante a formação

Chove no horizonte

Falsa tempestade no céu

Vagueia agua no monte

Esconde o oceano o véu

Não temerá a escravidão

Aquele que libertar o espírito

Todo o tédio será vão

Nada existe, senão rito

29 de outubro de 2011

Poema Antigo

Labirinto
Pudesse o corpo desistir
E a luz da mente perder-se.

Toda a sanidade
Alastra-se infiltrada no negro cosmo,
Em silêncio absoluto
Sempre ressonando a mesma melodia.

Futil procurar a beleza
Quando em cada canto ela se dispõem,
Despe a sua pele tímida
Deixando-se nua ao olhar.

Mas beleza essa requintada
Que o leve respirar disssipa o sentido
E o desejo por viver
Não é mais que o louco desejo de alcançar.

Vigorosa é a viagem,
O cume alto e bravio
É no cimo dos altos montes
Que beijam o céu
Esticando o corpo inocentemente
Ao sabor da natureza aleatória
Que o tempo fez existir.

E, enquanto subo as encostas ingremes,
O mundo selvagem encontra o meu,
E todas as sombras imaginárias
Tornam-se reais.

A montanha não é mais montanha
Mas um longo labirinto,
Onde se entra
Sem saber se se sai.

24 de outubro de 2011

Parque de Diversões

Sigo e baixo. Mais uma volta num qualquer parque de diversões que visito. Parar? Um dia, eventualmente, a manutenção será impossível, mas haja esperança, e que a maquinaria projectada pelas grandes industrias se mantenha a funcionar por longos e duradoiros anos. Não me atrevo a andar na montanha russa, as curvas e contracurvas e os loopings que nos transmite um extâse, uma mistura de medo com fortes sensações de elouquência , vibrações e constante impossibilidade de concentração num qualquer pensamento abstracto ou sério, assusta-me, e nessas condições, passo para o próximo corrossel, a roda gigante aparece sempre como um lugar romântico, onde no topo vejo toda a cidade, quase belo como o castelo de são jorge, onde avisto parte de Lisboa , e no alto é possível vaguear nos telhados da velha cidade. Mas, sabe-se e é sabido desde sempre que o que sobe desce, e alternar entre o cimo e o baixo lembra-me o velho pi com os seus "enos" que alguém decidiu definir, o próprio circulo é demonstração disso, e o como o relógio, um único sentido, não consigo permanecer muitas voltas neste, ao fim de conhecer a cidade, que mais podem os meus olhos observar? haverá mais algum? É claro, o mundo é cheio de oportunidades, e assim serão os parques de diversões. A casa de terror é uma próxima etapa, atravessar, sentir o medo e o constante suspense do que puderá surgir por detrás da próxima porta. Mas próprio conceito de representar cenas de alguns teatros, livros e filmes recorda-me que num mundo onde a representação é já vivida na própria vida, que não há necessidade de acrescentar um pouco mais de mentira e manipulação, e que talvez não haja mal em não atravessar os corredores que os especialistas em design projectam. Passando numa ponta a outra, assento a ideia num leve pensamento, percorrer os brinquedos, só por fora, deambular entre eles, e experimenta-los, um pouco de cada vez, para não me aborrecer.

24 de junho de 2011

Sossego

Sossego. Eu sossego. Tu sossegas. Eles Sossegam.
Comboio.
Nada para fazer.
Entendiado. Eu entendeio-me, Tu entedeias-te. Eles entendeiam-se.
Aborrecimento.
Aborrecido.
Tédio
Fazer tempo.
Esperar..

25 de abril de 2011

Ying Yang

Penso e sinto o coração a disparar, a ansiedade a crescer e a respiração a pregar-me partidas. Sinto o ar a pesar dentro de mim, quebrando-me os joelhos e largando-me no chão. Qual tronco abatido e tombado pelo vento, que empoeira o ar à sua volta. Tusso compulsivamente todo este lodo na tentativa de me libertar das areias movediças que me empurram para o ar, cortando o meu elo terrestre. Agarro fortemente aquela vontade que me faz voar em direcção ao chão que me abraça. Como um troféu no final de uma corrida disputada, em que ninguém vence a partida de uma meta que nunca existiu.

Sorrio enamorada por este ar que me circunda e que me eleva ao um clímax sentimental puro. Sinto a paz a entrar pelos poros da minha pele que arrebata e me prende neste paraíso. Como um avião de destino paradisíaco que voa livremente sobre um mar tumultuoso. Entro determinada pelas ondas que saciam a fome do toque aveludado de uma rosa. Envolta naquelas partículas transparentes que me elevam ao azul celestial e me deitam docemente no primeiro novelo branco que encontram. Enrosco-me num abraço apertado de forma a sentir aquele algodão em mim.

Oh que dor deliciosa que brota em mim como feridas abençoadas.

13 de abril de 2011

Decidia-me a concentrar-me por completo nesta nova empresa. Não iria desistir, mesmo quando havia pouco a meu favor. Mas o pouco abria uma leve vaga de esperança, na qual era possível pousar e sonhar. Romântico, chamariam os racionais desenvergonhados vazios de pudores e preconceitos,se as suas justificações tivessem lógica perante os libertinos zonzos e eloquentes ainda se compreendia, mas ou seriam ou não o que haviam querido para sua alternativa. Na verdade, é infiel a imagem que posso fazer do que veio a seguir. Era tarde e já só pensava em dormir,aquela hora da noite por de certo poucos indivíduos estariam acordados. Mentiram, muitos deles resplendeciam as suas insónias em actividades um pouco ou mais lúdicas, mas julgo puder garantir que nenhum deles fazia o que o fazia. Nem que fosse porque nenhum deles estava no lugar onde eu me encontrava, no vazio completo. Havia viajado quilometros

10 de março de 2011

Viva La ....

Era fim da tarde, e o céu negro pelas nuvens e pela a poluição que o dia acumulou, escondia o sol na linha longe do horizonte das colinas, onde a cidade se erguia sobre uma pequena timidez e pouco a pouco, pequenos pontos luminosos pintavam as ruas, onde a multidão agitada, regressava a casa após mais um longo dia de trabalho. A oeste, pequenos raios de luz expeliam-se em rasgões ferozes, penetrando a cidade com um sangue estonteante, que se misturava aos raios tão reais como só o sol oferece ao adormecer. Era a luz refractada. Um laranja tão profundo e brilhante que deslumbrava as mais duras almas. No alto, em dias timidos, a lua esboçava o mais belo sorriso. Sorria-me. Não só a mim, mas a quem a contempla-se....

Chega!

Havia-se criado naquela época a ideia que o velho pastor renunciara um cargo de alta importância na classe eclesiástica e que havia preferido isolar-se no conforto do monte. Certo é, que poucas pessoas conheciam a sua historia . Não sei se gostava de permanecer isolado, mas assim vivia, deslocando-se apenas quando necessário à mercearia ou aos correios. Era um remédio natural para os seus pensamentos, diziam alguns, que o julgavam, contaminados pelas as ideias filosóficas que surgiam banalmente na boca do povo. Afinal a televisão tinha esse poder, desconstruir a ideia e reconstrui-la redundante nas mais variadas formas.

A história do nosso herói, ou pelo menos o assunto que aqui nos trás, começa à cerca de dez anos atrás, quando ainda era um reputado Bispo. Bastante respeitado por toda a igreja, surgiam boatos que haviam planos para o tornar Cardeal. Já nessa altura, o Bispo estava relutante se havia escolhido ou não um caminho adequado. Já com cinquenta anos, pesava-lhe na cabeça os textos literários que tinha lido, aquém do que a igreja o ensinara. Na verdade, a sua crença desvanecera, ou em menor grau, tornara-se uma frágil folha que ao libertar-se da velha árvore demorava a pousar em terreno duro para a próxima transformação, vagueando ainda nos lençóis do vento, que nem sempre tornava o seu destino agradável. Não perdendo em qualquer dos casos a certeza que na mesma se encontrava um grande grau de verdade, duvidava em toda a palavra proclamada pela instituição a que pertencia. Já não reconhecia o respeito que outrora acreditara haver. A humildade e a altruismo que a mesma defendia, via-as como simples construções teatrais, para que nos bastiadores as grandes decisões fossem tomadas, sem que o publico soubesse a verdade, pois nas peças os autores esforçavam-se para representar o seu papel, e quanto mais afinco e dedicação, mais os seus actos eram tidos como certos e adequados. Chegara-se mesmo ao ponto, em que tal era a tamanha eloquência, que a representação misturava-se com o real, e na miscelânea, a loucura tomava a sanidade, não se compreendendo em concreto o que estaria a ser representado. Foi neste contexto que o bispo decidira-se retirar.

As razões que levaram o nosso personagem a tomar essa mesma decisão ficam aquém da nossa tentativa de explicação. Não é possível esboçar um quadro que preencha tais requisitos com as evidências que foram possíveis "juntar".


Ao chegar ao monte recordou-se dos tempos de criança, pelas palavras do próprio "tanto tempo de vida citadina fez-me esquecer as mais belas manhãs de abril após a chuva nocturna, a natureza que os meus olhos já pouco visitavam nos dias agitados foram atingidos como um relampago na paisagem aberta". De seguida, descreve
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Que horrivel! Jamais voltarei a escrever.

19 de fevereiro de 2011

O mundo estava Vazio

O mundo está vazio. Folha Branca ou preta, talvez repleto de cores, mas está vazio. Não há mal. Vou preenche-lo de coisas. Começo por um traço, um linha entre dois pontos onde a recta seria o caminho mais facil a percorrer, mas eu vou inclinar um pouco, fazer um curvatura para a direita no ponto médio, ficando parecido com uma semi recta, mas diria mais uma semi-elipse, não tão intensa é certo, é uma curvatura pequena. Depois copio , usando a simetria, ficando a curvatura para a esquerda. Tenho assim duas curvaturas, uma ao lado da outra, que formam um tronco perfeito de uma arvore. Depois desenho o chão, e desenho as raizes desordenadamente, não que elas assim sejam, mas certo é que se vão repetindo como fractal, assim como os ramos que decido também colocar. O mundo deixa de estar vazio. Existe agora uma arvore na folha branca. É inverno, e o outono levou as folhas, pelo o que não necessidade de elaborar um grande plano nesta epóca. Existe mesmo assim beleza na simplicidade na chuva com que decido preencher também a folha. Começa haver contornos mais exactos do objectivo. Deixo assim, no chão de terra, a árvore enraizada. Espero que o vento não a leve.