8 de fevereiro de 2010

Brilhava

Brilhava a luz tremule no cimo de uma vela, deixada num prato de prata revestido em ouro.
Entre as paredes castanhas, de carvalho antigo, sobre uma mesa que completava o carácter pobre e rústico da velha cabana. Na cama, que chegava a altura dos joelhos, gemia um corpo desassossegado. Berrando sem palavras sons que ardiam em chamas como o crepitar da raiva do fogo engolindo toda a montanha para tocar o céu. As palavras eram incompreensíveis mas agitadoras. Ao seu lado, uma velha senhora acariciava o seu rosto cantando uma lira apaziguadora. Não eram palavras, mas distinguíveis os sons que libertava. A velha mulher entoava numa velha linguagem que à muito não se ouvia, e que retornava, no momento em que o corpo se torcia e se perdia no mar turbulento. A cada momento que passava, o corpo contorcia-se mais, tornando a voz mais pesada, grave e agressiva.

O silêncio ao redor era absoluto, as árvores, debaixo da noite que afugentava o olhar divino com as nuvens negras tempestuosas, permaneciam paradas no tempo.
O vento deixara de soprar. Os pássaros ouviam ansiosos. A luta começava.

Ressoava, no bosque infinito, a voz grave e violenta, apaziguada na musica doce e terna.

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