24 de junho de 2011
Sossego
Comboio.
Nada para fazer.
Entendiado. Eu entendeio-me, Tu entedeias-te. Eles entendeiam-se.
Aborrecimento.
Aborrecido.
Tédio
Fazer tempo.
Esperar..
25 de abril de 2011
Ying Yang
Sorrio enamorada por este ar que me circunda e que me eleva ao um clímax sentimental puro. Sinto a paz a entrar pelos poros da minha pele que arrebata e me prende neste paraíso. Como um avião de destino paradisíaco que voa livremente sobre um mar tumultuoso. Entro determinada pelas ondas que saciam a fome do toque aveludado de uma rosa. Envolta naquelas partículas transparentes que me elevam ao azul celestial e me deitam docemente no primeiro novelo branco que encontram. Enrosco-me num abraço apertado de forma a sentir aquele algodão em mim.
Oh que dor deliciosa que brota em mim como feridas abençoadas.
13 de abril de 2011
10 de março de 2011
Viva La ....
Chega!
A história do nosso herói, ou pelo menos o assunto que aqui nos trás, começa à cerca de dez anos atrás, quando ainda era um reputado Bispo. Bastante respeitado por toda a igreja, surgiam boatos que haviam planos para o tornar Cardeal. Já nessa altura, o Bispo estava relutante se havia escolhido ou não um caminho adequado. Já com cinquenta anos, pesava-lhe na cabeça os textos literários que tinha lido, aquém do que a igreja o ensinara. Na verdade, a sua crença desvanecera, ou em menor grau, tornara-se uma frágil folha que ao libertar-se da velha árvore demorava a pousar em terreno duro para a próxima transformação, vagueando ainda nos lençóis do vento, que nem sempre tornava o seu destino agradável. Não perdendo em qualquer dos casos a certeza que na mesma se encontrava um grande grau de verdade, duvidava em toda a palavra proclamada pela instituição a que pertencia. Já não reconhecia o respeito que outrora acreditara haver. A humildade e a altruismo que a mesma defendia, via-as como simples construções teatrais, para que nos bastiadores as grandes decisões fossem tomadas, sem que o publico soubesse a verdade, pois nas peças os autores esforçavam-se para representar o seu papel, e quanto mais afinco e dedicação, mais os seus actos eram tidos como certos e adequados. Chegara-se mesmo ao ponto, em que tal era a tamanha eloquência, que a representação misturava-se com o real, e na miscelânea, a loucura tomava a sanidade, não se compreendendo em concreto o que estaria a ser representado. Foi neste contexto que o bispo decidira-se retirar.
As razões que levaram o nosso personagem a tomar essa mesma decisão ficam aquém da nossa tentativa de explicação. Não é possível esboçar um quadro que preencha tais requisitos com as evidências que foram possíveis "juntar".
Ao chegar ao monte recordou-se dos tempos de criança, pelas palavras do próprio "tanto tempo de vida citadina fez-me esquecer as mais belas manhãs de abril após a chuva nocturna, a natureza que os meus olhos já pouco visitavam nos dias agitados foram atingidos como um relampago na paisagem aberta". De seguida, descreve
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Que horrivel! Jamais voltarei a escrever.
19 de fevereiro de 2011
O mundo estava Vazio
12 de junho de 2010
Transcendência
Sinto-me confusa, enrolada nos meus próprios pensamentos, nas minhas próprias palavras, nos meus próprios sonhos.
Sento-me cabisbaixa, mãos entre os joelhos, olhar vidrado nas pedras desta calçada, mais preocupado em fitar os relevos irregulares e geométricos do chão que piso.
Ouço o vento que me atravessa e faz esvoaçar os cabelos soltos, livres, sem limites... que me acariciam a face e me abraçam o pescoço.
Cheiro o sol que bate em mim, em cada centímetro de mim, e me clona no chão... tamanha personagem prisioneira a mim e a este chão que me pisa.
Saboreio o ar que respiro, absorvendo toda a sua imensidão, toda a sua simplicidade, todo o seu poder.
Tudo à minha volta permanece numa beleza estática e intemporal, como se o mundo estivesse em pausa, enquanto eu apreciava sozinha a sua beleza... Levanto e caminho neste chão, levando a vontade, o vento, as pedras da calçada, a sombra e o ar. Um só ser único! Sinto-me envolta em magia, leve, pura, com um poder incalculável que nem eu nem ninguém poderá alguma vez quantificar! Fecho os olhos e deixo-me levar pelos trilhos que o vento constrói para mim, simplesmente para eu passar! As flores curvam-se perante mim e oferecem-me as suas pétalas, tamanha dádiva que forma a ponte para o paraíso. Caminho descalça neste chão aveludado e perfumado que ganha cor à minha passagem. E... voo... Perco o sentido ao momento, perco o rumo do vento, perco a vontade do sol, perco o pensamento... Flutuo vazia no vazio que me circunda. Deixo de sentir o ar que me toca, de ver a cor do meu corpo, de cheirar este mundo.
Desapareço no ar como a névoa da manhã. Silenciosa... Subtil... Em paz... Feliz...
E acordo...
8 de fevereiro de 2010
Brilhava
Entre as paredes castanhas, de carvalho antigo, sobre uma mesa que completava o carácter pobre e rústico da velha cabana. Na cama, que chegava a altura dos joelhos, gemia um corpo desassossegado. Berrando sem palavras sons que ardiam em chamas como o crepitar da raiva do fogo engolindo toda a montanha para tocar o céu. As palavras eram incompreensíveis mas agitadoras. Ao seu lado, uma velha senhora acariciava o seu rosto cantando uma lira apaziguadora. Não eram palavras, mas distinguíveis os sons que libertava. A velha mulher entoava numa velha linguagem que à muito não se ouvia, e que retornava, no momento em que o corpo se torcia e se perdia no mar turbulento. A cada momento que passava, o corpo contorcia-se mais, tornando a voz mais pesada, grave e agressiva.
O silêncio ao redor era absoluto, as árvores, debaixo da noite que afugentava o olhar divino com as nuvens negras tempestuosas, permaneciam paradas no tempo.
O vento deixara de soprar. Os pássaros ouviam ansiosos. A luta começava.
Ressoava, no bosque infinito, a voz grave e violenta, apaziguada na musica doce e terna.
31 de janeiro de 2010
Um Momento Efémero
É então que ouço a porta da rua a bater, como um chamamento ou encantamento que me envolve naquele momento e me faz sorrir. O rádio que passa os dias mudo de repente, ganha magia e liberta o pó acumulado pelos séculos preenchendo a casa de notas. Juntamente com o bater ritmado do meu coração ouço os suaves toques no soalho que vais deixando à medida que passas. Hummm... Sinto um leve perfume rosal bem perto de mim, assim como a tua respiração que me dá o alerta da tua existência. Sorrio... e sinto um leve toque veludado e quente nos meus lábios que me provoca um chorrilho de conceitos que até ali se encontrava adormecido no meu ser. Encaixas-te em mim como se de peça de puzzle perdida no tempo se tratasse. E vivemos ali os dois, eternamente, naquele paraíso improvisado onde só o nosso coração se ouve no meio dos ecos da paixão. Como tudo começou, tudo acaba e perco o sentido ao mundo e à tua presença. E... abro os olhos...
Atordoada com os pensamentos que assolam freneticamente nesta mente confusa, olho em redor à procura de um pedaço da tua existência. Serias um sonho?
Talvez sim... talvez não... Mas ficarás para sempre marcado neste espaço. Tão meu... Tão teu... Tão nosso!
17 de novembro de 2009
Dúvidas
Observo atentamente as pessoas de outrora... Tão distantes... Tão diferentes... Será que perdemos? Não faço ideia. Confusões, distracções, falta de fé!
Porque será que só abrimos os olhos quando as perdas nos são esfregadas na cara? Porquê... Enfim... Temos que continuar a conviver lado a lado com as nossas decisões.. Quer tenham sido certas... Ou não...
10 de novembro de 2009
Houvera sempre antigos Reinos
onde a embriaguez dotava o espírito,
e o ponto isolado do espaço
era estrela sombria do universo.
Houvera pouco por onde andar
quando a razão perecia
e o espírito da verdade
sucumbia à decadência.
É hora de acordar,
de usar os cinco sentidos,
sentir a efémera evidência,
que perdurará infinita,
no profundo céu azul.
12 de outubro de 2009
Não seria necessário muito...
Não seria necessário muito, fosse eu uma virtude e o meio a minha razão. A minha certeza demonstrável axiomaticamente. E alma adormecesse num velho recanto, onde ninguém vai, onde ninguém procura, escondida, desaparecida, levando consigo aquele dia fresco e suave, quando o sol aquece e não queima, e o momento belo e sublime, aquele onde os sentidos inebriados trazem à terra o paraíso continuamente prometido.
Não seria necessário muito, se a procura dos conceitos inúteis, minúsculos ao olhar infinito do oceano, permanecessem invisíveis ao corpo mais sensível. Não seria necessário muito, não cantassem as estrelas, em vozes continuamente intermitentes, a frustração de estar longe, demasiado longe, de tudo aquilo que nos liga.
29 de setembro de 2009
Existe no Ar
Existe no ar uma certa opressão; Uma poluição escondida que invade as almas e as proibe-as de se vestirem da sua formosa e simples natureza. Confude-as. Dando-lhes uma falsa virtude desdenhando as suas ideias, repetindo as verdades em torno de uma lógica circular.
É cedo, e o mundo nasce aos meus pés; A manhã, ligeiramente temperada, com um gosto humido de um dia que se promete quente, encontra o meu rosto desengonçado, perene, enfrentando o infinito e imensidão de luz que o sol decide trazer. O dia expande-se, contorna-se em meu dorso, somos um, eu e ela, eu e o mundo, eu e as pessoas. Um uno heterogéneo, pertencentes a uma mesma epopeia, um sonho, um desvaneio, que se repete e repete, num ciclo perfeito, quase lógico, quase racional, não houvesse no seu ventre a inconstância, a emoção, o sentimento; Não houvesse nesse estreito caminho, no mergulho infinito da repetição, o momento livre, de opção instântanea; Compreender que existir é descobrir, que desistir não é falhar, e que morrer é viver.
24 de setembro de 2009
Quem sou Eu?
Mas então? Mantenho a questão: Quem sou Eu? Um corpo vivo que pertence a determinada espécie, "igual" a tantos outros. Tenho um nome que nada tem a ver comigo. Surgiu de um livre-arbítrio criado pelos meus pais há uns anos atrás! Lembraram-se de algo e nomearam-me para sempre. Mas.. então.. que serei Eu.
Eu sou um conjunto de acções e sentimentos num dado momento, num dado sítio, que influência e é influenciado por alguém ou por algo. Penso que em dada altura, todos n´´s questionamos acerca deste assunto. Por vezes de forma directa, outras de forma indirecta, escondendo a questão atrás de outras dúvidas/incertezas - Porque eu? Só a mim é que isto acontece...
Eu sou as minhas memórias, as minhas paixões, os meus momentos, as minhas tristezas, os meus sonhos, as minhas alegrias, as pessoas que conheço, aquilo que faço, aquilo que falo, aquilo que escuto, aquilo que vejo. Sou aquilo que sinto, aquilo que quero, aquilo que tenho, aquilo por que luto. Sou os dias que vivo, a roupa que visto, o tempo que é só meu e tantas outras coisas.
Quem sou Eu?
Bem... Eu sou Eu!
12 de setembro de 2009
Imagine-se um espaço
É facil à razão satisfazer a minha arrogância transcendente e, presunçosa e confiante, demonstrar que mesmo o divino é fruto de uma lógica permanente.
Imagine-se um espaço. Onde a origem é o local de partida e chegada. E que cada simples momento se repete. E nada mais pode-se dizer.
Imagine-se e aceite-se algo que não posso aceitar.
O que representa o Homem neste espaço?
Se o aleatório é ilusão, se a escolha é mera confusão dos sentidos já ditados, que resta ao eu fazer para ser? Valerá à consciência elaborar um longo plano para o que já está determinado mesmo sabendo que longo plano já faz parte do planeado?
Imagine-se uma fotografia, a nobre e fragil fotografia que sempre existiu, e que instante a instante guarda o espaço num tempo que sempre existiu.
É espaço terrível de se imaginar. E é por isso, só por isso, que não o posso aceitar.
11 de setembro de 2009
10 de setembro de 2009
A Formiga
Uma formiga, neste mundo de Gigantes, onde não basta apenas existir as árvores que se colocam no seu caminho, como também as terríveis ervas que teimam em crescer. Que enorme é a dificuldade em caminhar neste mundo cheio de degraus e obstáculos. A sorte da formiga é ser leve, ter seis patas e ter uma força descomunal. Quem diria que aquele bichinho tão pequeno consegue aguentar 50 vezes o seu peso. Para ela, este mundo de gigantes não é nada. Facilmente ela escala a erva ou a árvore, agarra o seu alimento sem a menor dificuldade e volta a casa.
Era excelente que o ser humano fosse como a formiga.
Talvez eu devesse ser uma formiga…
Gostava de ter uma força monumental para carregar com facilidade os fardos da vida. Correr ágil perante todos os obstáculos que me surgissem, subindo de forma incansável até ao topo do mundo e gritar: Venci! Andar pelo mundo fora sem ter que arrastar o corpo pesado por esse trilho. Ser incansável…
Mas que sou eu… Uma fraca formiga sem patas…
Nesta terra de Gigantes...
9 de setembro de 2009
A Natureza
Deixo hoje aqui, um pequeno texto que escrevi à alguns dias atrás após ter concluido a leitura de alguns ensáios literários do Aldous Huxley, Autor que aconselho vivamente.
7 de setembro de 2009
Dúvidas
Como posso eu lidar com um sentimento que não vejo reflectido no outro ser, objecto dessa emoção? Estranho ter de pensar nisto. Geralmente gosta-se, quer-se e pronto. Mas, nem sempre é assim…
É possível amar sem se ser amado? Não… Impossível! O amor... Aquele verdadeiro, só existe quando estão presentes duas pessoas, cada uma a contribuir para esse sentimento que, não é de uma, nem da outra. Mas, é possível sim, apaixonarmo-nos por alguém, sem sermos correspondidos. Acções, palavras, momentos, que nos apanham o coração, nos preenchem os dias, desde que acordamos. E quantas são as vezes que essa paixão nos assalta os sonhos sem que nós possamos fazer algo para contrariar…
Sorrimos, voamos, bailamos pela casa fora, cantando a essa emoção tão boa, tão especial. Acreditamos fortemente sermos as pessoas mais felizes à face da terra. E ninguém, repito, ninguém, conseguiria alterar esse pensamento. Passa a existir uma só pessoa no nosso Universo, tudo e todos estão viradas para ela, e nós, vivemos, respiramos, a vida dela, o ar dela.
Mas… Se de repente, por qualquer razão (in)justa, o alimento que saciava esse sentimento se esvanece no ar, largando-nos no chão frio, à mercê desse abutre que anda sempre à espera de uma falha, a Tristeza. O mundo desaparece da nossa vida. O ar queima a entrar dentro de nós. O Universo caí sobre o nosso peito, sufocando-nos… As lágrimas brotam dos olhos, tamanha fonte inesgotável. Dor… é o temos… Aliás… Dor e paixão… Dor pela paixão que sentimos. Paixão por algo que nos provoca dor… Estranho ou inevitável?
Deveríamos ou não lutar? Sim… sem dúvida alguma. Todo o ser humano busca a felicidade. Devemos nós, também, lutar por ela e, porque acreditamos que o outro ser é a nossa felicidade, deveremos correr atrás dele. Mas... é legítima essa luta? Depende da razão, dos sentimentos, da vontade. E aqui… já não somos só nós. Razão, sentimentos, vontade de ambos. Compreensão, perdão, união. Pontos-chave nesta luta, por vezes, desigual…
Desigual…
Constante obstáculo que cresce do outro lado e nos impede de vislumbrar um final feliz. Quando batemos incessantemente àquela porta que teima em não se abrir, em deixar-nos entrar de novo naquela casa, com a fome de lá habitar. Parte-nos o coração. E alimenta-se a tristeza. Tantas são as investidas falhadas mas, continuamos a tentar, tal moinho de vento que gira no vendaval sem descanso.
“Poder-se-á querer ter alguém, sem querer também ser querido por essa pessoa?"
Mantenho a resposta do autor. “Eu não sei”. Não posso saber. Sei que gosto, que quero, mesmo que a outra pessoa não corresponda ao mesmo sentimento. Por vezes acredito que seria mais fácil não podermos gostar de quem não nos quer… A vida nunca foi justa… E só temos aquele sentimento… que procuramos completar. Mesmo que provoque dor…

